2020

2020

Ainda que ligeiramente curtos, os cabelos nem sempre foram vermelhos. Ainda que presentes, os desenhos nem sempre são coloridos. Costuma dizer que “é gente boa demais”. E ela não está mentindo. É artista, rima com as colagens, brinca com os tipos e foge dos lugares comuns. Diz e escreve, conversa e versa por imagens e imaginações próprias. Poética a sua estética. Femininas suas curvas e linhas retas. Testa texturas. Dialoga. Desloca. Desdobra. Desfoca. Desmonta. Desfaz. Faz. Na memória, o que fica se salva. Sim, fotografa. Não se dobra.

Moça urbana, pós-graduada nos estudos, pós-moderna nas artes e com o pôr-do-sol no pensamento. Se houvesse memórias póstumas, seriam boas. Ajudou a tecer histórias das mais diversas para diferentes suportes. Suportou a solidão que vem a cada nova garoa em SP e deixou raízes em BH. Não fez chover, mas soube tirar proveito do que tinha e do que lhe faltava. Vez ou outra, estalava, revirava os baús. Mais uma cria, crua, recém-descoberta. Estava ali mais uma criação. Por cada lugar que passa, faz passagem, rastros-de-um-desenho-que-embora-findo-sendo-lindo-continua. Ainda bem. 

por Filipe Insensee

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